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Empresas Zebras e Unicórnios, quais são melhores?


Zebras ou Unicórnios? O que é melhor?


Não, esse não é um artigo sobre seres míticos lutando contra seres reais em uma simulação de luta animal da Discovery. Pelo contrário, vamos falar de coisas reais e surreais; coisas sustentáveis e coisas que só funcionam na cabeça de crianças, ou de pessoas esquizofrênicas.


Definições:


Unicórnio:

Brincadeiras e trocadilhos a parte, Unicórnio é a designação dada a Startups ou Spin Off que são avaliadas em mais de US$ 1 Bilhão antes de abrir capital na bolsa (IPO). Até aí, sem novidades, aqui no Brasil algumas startups como NuBank, iFood, Stone e a Spin Off PagSeguro já são classificadas dessa forma.


Startup:

Empresa de base tecnológica cujo foco é crescimento exponencial. Geralmente o lucro geralmente é projetado a longo prazo, após o monopólio ou controle de grande parte do setor


Spin Off:

Startup que sai de dentro de uma empresa já consolidada para ganhar vida, estratégias e gestão próprias. A PagSeguro, por exemplo, é uma Spin Off do UOL, que por sua vez também pode ser considerada uma Spin Off do jornal Folha de São Paulo.


Quem acompanha minhas análises de mercado sabe que eu sou um pouco crítico em relação as startups e ao conceito de unicórnios. Isso se dá, porque quando analisamos de perto, percebemos que a taxa de mortalidade de startups é significativamente maior do que a taxa de mortalidade de outros modelos como as franquias. Um segundo problema que eu sempre aponto nesse tipo de negócio é que a maioria deles, atinge o patamar de Unicórnio sem nunca sequer ter gerado lucro. São modelos problemático, insustentáveis e extremamente dependentes das milionárias captações de capital de risco, o tal Venture Capital. Fundos de Investimento que operam em um esquema conhecido no mercado como tese do “Bobo Maior”. Compram participações de centenas e até milhares de startups que surgem no mercado, apostando que de cada 100, talvez 99 não chegarão a lugar nenhum, mas que a abertura de mercado de apenas uma dessas, é o suficiente para distribuir lucro aos cotistas do fundo, e ainda financiar as próximas apostas. Outros fundos e investidores anjos nem querem ir tão longe, almejam a saída quando a possibilidade de ganho chega a 10x (dez vezes, ou 1000%) o valor investido, não estão preocupados se o negócio é perene, sólido... Só querem saber se o negócio é atraente suficiente para atrair novas rodadas de investimento que os ajude a "sair". O bobo maior é aquele que ficar com as ações nas mãos quando a empresa falir.


Um bom exemplo disso é o caso da NetShoes. Apesar de nunca ter sido considerada um unicórnio, foi uma empresa que viveu até agora se apoiando em investimentos milionários e acumulando prejuízos recorrentes. A empresa fez um IPO com ações avaliadas em US$ 18,00 (dezoito dólares) e se desvalorizou até ser resgatada e comprada integralmente pela Magazine Luiza que pagou pouco mais de US$ 3,00 por ação. Os bobos maiores foram os que tiveram prejuízo, os que compraram as ações por 18, um valor 600% maior em relação ao que foi vendido. E isso pode parecer um plano mirabolante, frio e calculista, mas é o formato do mercado, os empreendedores geralmente acreditam em um "lucro futuro" e por isso vão até o fim com suas ações. Mas aqueles que entram cedo e saem cedo, sabem que a dinâmica é essa. Além disso, tenho para mim a crença de que o valor dos papéis estão sendo inflados no IPO, outro caso que podemos citar é a Uber. A empresa abril capital em maio de 2019 e hoje está na casa dos US$ 30 dólares, após se recuperar da mínima de US$ 25 em novembro de 2019. Aliás essa recuperação só se deu por conta do corte de mais de 400 funcionários e as especulações sobre um suposto veículo autônomo e voador (vale lembrar que a Uber não opera nem com os veículos autônomos terrestres).


Independente do exemplo que nós citemos, fundadores, investidores anjo, gestores e fundos que entraram no começo ganharam. No caso da Netshoes, praticamente todos eles lucraram muito, mesmo com a “quase falência” da empresa. Os bobos maiores pagaram a conta, e só não perderam tudo porque houve quem percebesse que o alcance do marketing de todos esses anos da empresa, valia mais do que os US$ 3,00 por ação (Aliás, esse é o valor da empresa, os outros US$ 15 por ações foram pura especulação, nesse jeito maluco que o mercado usa para avaliar negócios que sequer se sustentam.


Outro problema que sempre aponto, é que, na maioria dos casos, são empresas que desenvolvem aplicativos e algoritmos feitos para negociar serviços e produtos “banais”, com um grau baixo de personalização. Há 10 anos, apenas o fato de serem aplicativos e terem algum nível de organização por algoritmos já era considerado uma barreira grande o suficiente contra concorrentes. Mas hoje, com dezenas de plataformas modulares, e milhares de agências digitais espalhadas por aí, praticamente qualquer pessoa pode “prototipar” uma dessas empresas, mudar o nome, ativar os mesmos prestadores de serviços e, com algum fundo gordo e disposto por trás, entrar na batalha de preços. uma concorrência infinita predatória e que alimenta um ciclo vicioso. A netshoes por exemplo não tinha linhas próprias, eles vendiam praticamente os mesmos produtos que todo o mercado tinha acesso para vender.

Qual era a barreira? Até que ponto isso se sustenta nessa guerra de preços onde ganha quem tomar mais prejuízos com descontos e promoções?!


Mas e as ZEBRAS?

Além de um animal, na linguagem do esporte, Zebras são aqueles times pequenos que realizam resultados improváveis, como ganhar de um time maior, ficar bem colocado, ou até vencer um campeonato. Porém, em 8 de março de 2017, quatro mulheres deram um novo significado para a palavra.


Em seu manifesto intitulado: "Zebras Fix What Unicrons Break", algo como “As Zebras corrigem o que os Unicórnios quebram”, as empresárias Jennifer Brandel, Mara Zepeda, Astrid Scholz e Aniyia Williams, apontam:


“A atual estrutura de tecnologia e capital de risco está quebrada. Recompensa quantidade sobre qualidade, consumo sobre criação, saídas rápidas sobre crescimento sustentável e lucro dos acionistas sobre prosperidade compartilhada. Ele persegue empresas de “ unicórnios ” que se dedicam a “interrupção” em vez de apoiar empresas que reparam, cultivam e se conectam.".

Cravam também que:


“Quando o retorno dos acionistas supera o bem-estar coletivo, a própria democracia é ameaçada. A realidade é que os modelos de negócios geramcomportamentoe em escala, esse comportamento pode levar a resultados de longo alcance, às vezes destrutivos.”

Em alternativa a isso convidam as pessoas a criarem, investirem, fomentarem e apoiarem modelos de negócios que zelam pelo equilíbrio social, que defendam o compartilhamento de poder e de recursos. Já que é esse equilíbrio que garante o progresso e desenvolvimento para a sociedade como um todo (ao invés de explorar motoristas e entregadores, se aproveitando do momento econômico ruim, para garantir ganhos astronômicos ao alto escalão da empresa).


Ontem, quando tomei conhecimento desse manifesto e do movimento Zebras Unite, fiquei encantado. Isso me remete as primeiras falas que fiz sobre o que chamo de “Empreendedorismo Responsável”, onde defendo que não se pode lucrar com o sofrimento alheio, pois assim, o sofrimento das pessoas será sempre fomentado por ser um bom negócio.

O manifesto tem também total sinergia sobre modelos como os chamados Negócios de Impacto e com a Economia Verde. O movimento Zebras Unite e compatível e complementar até ao que diz ao lindo projeto “Green New Deal”, em português, "Novo Acordo Verde", um dos projetos mais completos, modernos, sustentáveis e ambiciosos já apresentado contra as mudanças climáticas. Fiquei muito feliz de encontrar um “clubinho” onde minhas ideias caibam, já que a “geração Startup” não gosta muito das minhas análises, apesar de poucas vezes questioná-las.


POR QUE ZEBRAS?

O manifesto explica a escolha do animal, apontando características comuns aos modelos de negócios que elas defendem.

1. Zebras são Reais: Ou seja, uma alfinetada para os unicórnios, cujo em boa parte os resultados positivos só existem na imaginação;

2. Preto e Branco: "Rentáveis e melhoram a sociedade. Não sacrificam um pelo outro". (Ou como eu diria no conceito de Empreendedorismo Responsável: Negócios que são ruins para a sociedade, não precisam existir). Zebras são como aquela padaria do bairro que existe há 50 anos “Serve bem, para servir sempre”;

3. A União faz a força: Zebras se juntam em grupos para se protegerem, preservarem uma a outra, contra modelos predatórios que podem atacá-las.

4. Modelo Sólido: As Zebras são caracterizadas por grande resistência e eficiência de capital. Algo muito diferente dos Unicórnios gastões.


Por fim, para que não haja dúvidas, a publicação coloca um infográfico mostrando ponto a ponto a diferença entre Unicórnios e Zebras. Eu termino por aqui, para que você tire suas conclusões. Na benV somos Zebra antes mesmo de sabermos como mostra nosso manifesto: Um ponto Verde.


#SouZebra

* A tradução e arte da mídia acima foi retirada da matéria "As Zebras consertam o que os Unicórnios quebram" assinado por Karina Pastore para o portal Época Negócios em 11/12/2019.