Open Site Navigation

Série: Saneamento básico - parte 4/5

Esgotamento sanitário: um dos produtos do seu cotidiano

Um córrego passando ao lado de um barraco de madeirite em uma favela sem saneamento básico
O Brasil enfrenta um grande desafio quanto ao tratamento de efluentes. Em muitas regiões há altos índices de esgotos a céu aberto e disposições inadequadas nos cursos hídricos.

Hoje falaremos de mais um dos eixos do saneamento básico: o esgotamento sanitário. Em um município, o esgoto tem diferentes origens, como as residências, comércios e indústrias. É importante que exista o tratamento desse tipo de “água”, chamada de “água residuária”, para que, ao serem dispostas em cursos hídricos (rios, por exemplo), não gerem malefícios ao meio ambiente.


O tratamento dos efluentes é composto de diversas etapas e varia de acordo com o sistema adotado. O curioso é que esse processo se inicia nas nossas casas, na famosa caixa de gordura. Ela tem como objetivo reter materiais que não devem chegar à rede coletora de esgoto, nas ruas. Dessa forma, é fundamental a limpeza periódica dessas unidades.

Existem alguns outros cuidados que podem auxiliar (e muito) para que o tratamento de efluentes possa ocorrer com melhor qualidade. Nos banheiros, atentar-se para não jogar papel higiênico, absorventes, preservativos e demais resíduos no vaso sanitário é um exemplo. Além disso, após o banho é indicado recolher os cabelos que normalmente são barrados no ralo; na cozinha, os resíduos sólidos não devem ser jogados na pia, visto que isso gera alterações na composição do efluente. Assim, faça a segregação desse material em reciclável e não reciclável. É uma simples ação, mas com um enorme impacto! É também importante salientar que os óleos usados na cozinha devem ser armazenados e entregues em pontos de coleta específicos desse tipo de material. Muitas ONGs recolhem, para fazer sabão, por exemplo.


Um fato que muitos desconhecem é que a água da chuva, chamada de água pluvial, não é esgoto! Sendo assim, elas devem ter um sistema próprio de drenagem que chegue às redes de drenagem pluvial, para que retornem aos cursos hídricos. Inclusive, esse é um dos eixos do saneamento básico e vamos falar sobre no próximo artigo.



Ao sair das nossas casas, comércios e indústrias, o esgoto é levado às estações de tratamento de efluentes (ETE), onde ocorrerão vários processos físicos e químicos que culminarão em dois tipos de produtos: o lodo e a água residuária pós tratamento.

O lodo gerado em uma ETE tem alta concentração de matéria orgânica e nutrientes, o que leva à possibilidade de incorporação, por exemplo, na agricultura. Além disso, a água residuária tratada apresenta qualidade muito superior à fase anterior ao tratamento e, atendendo aos padrões legais, pode ser destinada para cursos hídricos, sem que ocorra prejuízo desses ambientes. Há, também, outras destinações possíveis para ela, como a irrigação de determinadas culturas agrícolas.


Percebeu como a descarga ou o ralo da nossa pia são apenas o início de um longo trajeto que os efluentes passam? Pois é! E não se esqueça que somos responsáveis por muitas ações nesse processo. Dentre elas está a cobrança que devemos fazer às prefeituras e prestadoras de serviço de água e esgoto para que exista um tratamento eficiente dos efluentes gerados.

Ainda falta falarmos sobre a drenagem de águas pluviais, que é tema do próximo artigo. Já abordamos sobre o abastecimento de água potável e também a respeito dos resíduos sólidos e limpeza urbana. Confira nossos conteúdos e, em caso de dúvida, entre em contato!