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Negócios promissores para 2020



Diferente de outras publicações tradicionais que anualmente anunciam as tendências de negócios “promissores” como a Paleta Mexicana, Food Truck, Brigaderias, Cup Cake, Nails bar e “barbearia gourmet”, com esse artigo quero apontar direções promissoras, ao invés de negócios específicos que quando abertos em massa acabam fazendo com que boa parte dos empreendimentos tenha vida curta, afinal, nem a melhor das ideias prospera quando a oferta supera a demanda. Essas áreas que apontarei têm maiores chances de consolidação exatamente por ainda não terem grandes players dominando o mercado. Por terem um movimento crescente de adesão e demanda, se colocam como tendência para a próxima década conforme aponto a seguir.


Os negócios que são a tendência para a década de 2020:


ECONOMIA VERDE:

 

              É isso mesmo, esqueça todo esse blá-blá-blá de startup, informalidade, app de entrega ou de motoristas. O Brasil tem uma deficiência enorme de mão de obra de alta performance e um atraso histórico em relação a indústria tecnológica, mas há uma janela de oportunidades chamada economia verde.


               A economia verde vem ganhando força no mundo, a Alemanha por exemplo deve investir 40 bilhões de Euros nos próximos anos para reformar a matriz energética do país, trocando as matrizes fósseis, por matrizes energéticas limpas e sustentáveis como energia solar e eólica. Isso sem contar a modernização da indústria do país que deverá se adaptar para cumprir regras cada vez mais rígidas em relação a pegada de carbono.


               Na Europa, o movimento de energia limpa ganha cada vez mais força, e além das reformas das matrizes elétricas, vários países como França e a própria Alemanha já colocaram prazo limite para acabar com os veículos de passeio a combustão, e o prazo dado é até 2030, 2040 e no máximo 2050 a depender do país, logo ali.

E para quem acha que apenas o velho continente está preocupado com as mudanças climáticas, é bom saber que no congresso estadunidense já circula um projeto apelidade de "Green New Deal", Novo Acordo Verde em tradução livre, em referência ao "New Deal", um conjunto de ações de governo de Franklin Delano Roosevelt que tirou a economia Norte-Americana dos frangalhos que estava após a Grande Depressão de 1929, quando a bolsa quebrou naquele país. As ações foram bem sucedidas, e para os novos tempos não basta apenas o impulso econômico, é necessário corrigir e evitar desastres ambientais como os causados pela expansão industrial do século XX. Por isso o "GREEN" no novo nome. Esse projeto prevê investimentos na ordem dos bilhões, ou até trilhões de dólares em verba pública norte americana. Pode parecer muito, mas estima-se o país já gastou mais de US$ 5 trilhões durante a chamada Guerra do Iraque, porque não gastariam para revolucionar a economia e ganhar protagonismo nessa área de controle climático?!


               Nesse compasso, é fácil perceber que negócios verdes, ou seja, voltados a tecnologias limpas como transporte ativo, células de bateria, veículos elétricos, usinas energéticas residenciais alimentadas com placas fotovoltaicas e geradores eólicos, estão em alta, e investir nisso será um bom negócio pelas próximas décadas.


               Com um nível menor de sofisticação, mas com um grande apelo ainda na economia verde, estão as formas de alimentação mais saudáveis. Alimentos orgânicos e vegetarianos, surgem como formas de substituição da proteína animal cuja produção não é nada sustentável, por proteínas vegetais e alimentos que além de mais saudáveis, possuem formas de produção muito menos impactantes para o meio ambiente e com emissão praticamente nula dos gases de efeito estufa.


               Por falar em efeito estufa, o aquecimento global é um consenso científico, para combater esse mal que nos afeta, precisamos reflorestar o mundo como forma de sequestrar CO2 da atmosfera e assim regular o clima. Nesse sentido, além de grandes iniciativas de plantio de árvores, a venda de artigos de jardinagem e plantas devem crescer muito. Voltamos a salutar moda das “mini florestas” de apartamento. Aqui em casa mesmo eu já assumi o rótulo de pai de planta e já tenho 12 lindas plantas, cada uma com seu nome, me fazendo companhia e melhorando o ar que eu respiro. Não tenho a menor dúvida de que esse mercado crescerá e dará oportunidade para decoradores, arquitetos, jardineiros, floriculturas, técnicos botânicos etc. O impacto isolado desses jardins de apartamento, na qualidade de ar das metrópoles pode até não ser alto, mas a cultura do verde, da proliferação de plantas além de proporcionar um bom retorno a quem embarcar nesse mercado, aguça a sensibilidade e fomenta a adoção de hábitos ecologicamente mais saudáveis para a sociedade.


MERCADO DA CANNABIS:


               Por falar em verde (trocadilho infame), várias barreiras culturais vêm sendo quebradas e o mundo se rende aos poucos as descobertas que dizem por exemplo que a “erva” pode tratar diversos males como glaucoma e acalmar crises epiléticas; Com o recente aceno da ANVISA pela legalização da venda de produtos para uso medicinal, não duvido que outras formas de consumo, incluindo o recreativo, sejam liberadas nos próximos anos através de produtos como sucos, chás, condimentos etc.

Reprodução: Infográfico mostrando que a cannabis tem mais componentes além do famoso Tetra-Hidrocanabinol.(THC). Origem da imagem: Secure Avaaz

Há vantagens em se aproximar desse mercado, mesmo que por enquanto, apenas nas formas medicinais, pois essa é uma ótima preparação para o “boom cannábico” que o Brasil deve assistir nos próximos anos, assim como tem sido em diversos estados Norte-Americanos que regularam com legislações claras o consumo dessa erva multifuncional, isso porque já está provado em países como Holanda, Portugal e nos próprios EUA, que o consumo recreativo da Cannabis, é muito menos prejudicial a saúde, do que as bebidas alcóolicas que atualmente regam a socialização mundo a fora. Para se ter uma ideia, de acordo com o Ministério da Saúde, se estima que hoje o álcool mate 9 vezes mais que o abuso de drogas ilícitas somadas. Nesse espectro 90% das mortes relacionadas ao consumo de drogas, são ocasionadas pelo uso do álcool. Dentre as principais causas estão 1 – (28%) Lesões causadas por violência interpessoal (brigas) e por acidentes de trânsito; 2 – (21%) distúrbios digestivos como gastrite e úlcera; 3 – (19%) Doenças cardiovasculares; e as demais por doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais etc. Ou seja, em breve, mais do que ajudar no tratamento de doenças, produtos a base de cannabis podem substituir produtos alcoólicos em uma estratégia de economia para as contas do SUS. Então deixar o preconceito de lado, e olhar para o assunto com um certo pragmatismo pode fazer muito bem para o seu bolso nos próximos anos. O mercado dos EUA projeta que o país arrecade algo em torno de US$ 132 bilhões em apenas 8 anos (2017 a 2025). Nada mal para um mercado ainda tão jovem.


ATENÇÃO AOS IDOSOS:

               Os idosos se tornam a cada dia uma fatia mais importante para o mercado. Isso por dois motivos simples, primeiro porque a população está envelhecendo e a faixa etária que mais cresce no Brasil, é a faixa de idosos. O segundo motivo é triste, porém real. Tratamos pessimamente nossos idosos.



               Isso mesmo, não somos companheiros dos nossos idosos. Nossos pais e avós ficam abandonados a semana inteira até que no final de semana, nosso interesse por boa comida e algum afago nos faz visita-los, mas isso não é suficiente. Os idosos precisam de distração, de atenção a saúde, de manutenção da autoestima, e de ocupações que façam efeitos terapêuticos. Por isso, tudo é válido, desde espaços para bailes, aulas de dança e artes, agências de viagem especializadas nesse público, até a parte mais óbvia que é a atenção geriátrica. Tudo isso apresenta uma boa oportunidade de crescimento e investimento. Com alguma dedicação, muito carinho e respeito por esse público, você pode envelhecer com mais saúde financeira.


CONTRA INTELIGÊNCIA IMOBILIÁRIA:


               A especulação imobiliária é um dos tipos de negócios mais inescrupulosos que existe. Os imóveis são construídos com materiais cada vez piores, porém o valor por metro quadrado não para de subir. Em São Paulo não é raro encontrar imóveis que chegam a R$ 13.000,00 por metro quadrado (m²) mesmo enquanto lançamento na planta. Geralmente são apartamentos pequenos, de 18 a 40 m². Para compensar os altos valores, as empresas oferecem linhas de crédito para que os clientes quitem em até 360 meses (30 anos).


               Nesse caso, é importante lembrar que o financiamento longo não é um problema (a taxa de juros pode ser), o problema em questão é o valor de venda dos imóveis. A renda média da população não é compatível com o valor médio dos imóveis ofertados, mas a indústria da construção civil não está preocupada com isso. Para manter suas margens de lucro mais altas, padronizaram construções pequenas, com material de baixa qualidade, isolamento acústico e térmico questionáveis e com uma série de atrativos como parques, academia, piscina e churrasqueira, lavanderia, coworking etc.


               O que move o mercado são os investidores que continuam comprando imóveis na planta, como se isso fosse uma forma de investimento, e esperam alcançar grandes lucros com o aluguel dos imóveis, ou com a revenda dos mesmos quando as chaves forem entregues. Alimentam dessa forma, a cruel e nociva especulação imobiliária.


               Uma das construtoras mais inadequadas do mercado (na minha opinião) chegou a criar um projeto de imóvel de 10m² em São Paulo. Sim, eu não esqueci um zero, nem digitei errado, criaram apartamentos de DEZ metros quadrados, um verdadeiro ovo para humanos, que em um primeiro momento pode soar como uma oportunidade para que pessoas mais pobres tenham acesso a casa própria (ou quarto próprio). Mas não, o imóvel fica em no centro da cidade e, na planta, cada unidade não saía por menos de R$ 100 mil, valor que pode aumentar de acordo com a altura do andar e a posição do apartamento (frente ou costas para o sol).


               O preço absurdo do metro quadrado não é o único item que revela não ser um projeto inclusivo. O condomínio em questão conta com todos aqueles adicionais gourmets como lavanderia comunitária (única coisa realmente útil e necessária, principalmente porque uma máquina de lavar ocuparia ¼ do imóvel rss.), academia, coworking, piscina, salão de festas, churrasqueira etc. O que faz com que o condomínio seja insustentável e impagável para uma família, ou uma pessoa de baixa renda. É o custo da moradia de um hotel, porém, com menos conforto. Mas a empresa sabe disso, e o próprio CEO diz que os imóveis que ele constrói tem como público alvo executivos bem-sucedidos que querem morar perto do trabalho.


               Dito isso, um bom negócio, sem sombra de dúvidas, é investir na construção de imóveis mais simples, com o foco em moradia, com baixo custo de manutenção, condomínios acessíveis e adaptações sustentáveis. A reforma de prédios antigos tem se mostrado uma boa forma de entrar no mercado de imóveis com preços justos. Esse tipo de imóvel terá mais sucesso de vendas nos próximos anos, alguns exemplos bem sucedidos estão situados no centro de São Paulo em regiões antes degradadas como Av. São João e Duque de Caxias. Isso porque aquele discurso de que as pessoas não querem uma moradia, querem uma “experiência”, é puro marketing, a maior parte das áreas comuns dos condomínios são subutilizadas, e quando o calo aperta, a primeira coisa que as famílias fazem é buscar por opções mais baratas de moradias, com condomínios mais baixos e abandonam micos fáceis de serem encontrados em sites de aluguéis, onde imóveis são praticamente “emprestados” por aluguéis mais baixos do que os valores de condomínio. Em São Paulo os bairros que mais sofrem com isso são os nobres da Zona Sul como Morumbi, Brooklin e Panamby, onde imóveis enormes em condomínios de alto padrão têm um valor de aluguel mais baixo do que prédios mais centrais e populares, como os da Santa Cecília e Vila Buarque.


               Nisso tudo, o mais triste são os pequenos investidores, ou até as pessoas que em um momento bom da economia apostaram em uma compra desse tipo de imóvel mais "gourmetizado", e hoje acabam perdendo o imóvel, ou vendendo a preço de banana, por não conseguirem arcar com os custos de condomínio.


               Negócios justos e enxutos são o futuro, e essa aposta é certeira por um motivo simples: Negócios abusivos como a especulação imobiliária, são insustentáveis, em algum momento a bolha estoura, porque não existe um mercado consumidor qualificado infinito, há de se trabahar com proporcionalidade, entre o que se é oferecido, e o que é factível com a realidade econômica da cidade e do país. A lei da oferta e demanda em algum momento manda a conta. E é preciso entender, imóvel tem uma função habitacional, ou para imobilização de capital, não é um “investimento”. Entender isso é fundamental. Quer investir em habitação? Invista em um fundo imobiliário, ou em uma empresa do ramo, mas não comprando imóveis e apostando na especulação.


Por fim...

Não sou futurologista, nem posso cravar tudo que vai acontecer com exatidão, mas pelas minhas análises e acompanhamento de mercado, dá para entender o que deve acontecer. Importante ressaltar que as áreas que eu citei, são áreas que ainda não estão consolidadas e têm espaço para todo tipo de empreendedor, dos MEIs que fazem tudo sozinhos, até os mega empresários que podem criar empresas inteiras do zero e investirem pesado para consolidarem esses mercados.


Boa sorte ! ! !